A corrida de rua tomou conta do coração dos
brasileiros. O número de adeptos aumenta a cada dia. Os praticantes do esporte
são unânimes em afirmar que a corrida vicia. E é verdade. Nada assusta os
atletas. Nem o frio!
O problema é que no outono/inverno, o tempo mais
frio e seco, além da baixa umidade, são propícios às dores de garganta. A Dra. Márcia
Kii responde abaixo algumas perguntas sobre o assunto. Ela é otorrinolaringologista
do Instituto Ganz Sanchez, Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da
USP, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial.
* Correr
com dor de garganta faz mal? Por que?
Depende do grau de comprometimento do bem-estar do
atleta e dos sintomas associados. O quadro de dor de garganta pode variar de
caso a caso.
É conhecido que a prática regular de exercícios
físicos traz vários benefícios à saúde. Previne a instalação de infecções do
sistema respiratório e, se ela já ocorreu, reduz a intensidade e duração dos sintomas.
Entretanto, recomenda-se o bom senso. A decisão de
treinar ou não deve partir do próprio atleta/praticante após uma autoanálise de
como estão as suas reais condições físicas. Se a decisão for manter o
treino, a atividade deverá ser de intensidade leve a moderada. Reduzir a
duração do treino pode ser uma boa ideia. A dica neste momento é não abusar
(lembrando que a atividade física leva a uma sensação de satisfação e
bem-estar, mesmo doentes. Isto pode nos animar e induzir-nos ao erro de
aumentar a intensidade do treino)! Exercícios de alta intensidade
suprimem o sistema imunológico, e, portanto, poderão levar a um agravamento do
quadro. Se a febre estiver presente, é aconselhável não correr, suspender o
treino e repousar, recobrando as energias. O repouso garante uma recuperação
mais rápida. Mesmo que haja pequena perda no condicionamento físico, o risco de
complicações é bem menor. Deve-se voltar somente quando as condições físicas
estiverem reestabelecidas. A consulta a um médico especialista pode ser
necessária.
* Em quais casos não há problema correr se a pessoa
estiver com dor de garganta?
Quando o quadro de dor de garganta for leve, sem
febre e nem outros sintomas associados ou o comprometimento do bem-estar do
atleta, a corrida poderá ser mantida, optando-se por uma atividade de intensidade
leve a moderada.
* Como identificar se a dor de garganta é
ocasionada pelo tempo seco, por exemplo, ou um problema mais sério?
Podemos identificar que a dor de garganta é mais
séria e merece maior atenção pela duração e intensidade do sintoma, pela
presença de febre e de outros sintomas e pelo grau de comprometimento no
bem-estar.
* Por quanto tempo a corrida de rua deve ser
trocada pelo repouso no caso de problemas na garganta?
Depende da evolução de cada caso. Enquanto a febre
estiver presente, o melhor é manter o repouso. As atividades físicas podem ser
retomadas gradativamente assim que as energias forem reestabelecidas (o tempo
para isto pode variar de caso para caso).
* Quais as recomendações para quem pratica corrida
de rua nos dias frios e muito secos?
1. Vestuário:
Quando se pratica a atividade física, a temperatura
corporal aumenta e possivelmente não sentiremos a repercussão do clima frio. No
entanto, cessada a atividade, o frio poderá ser prejudicial à saúde. Portanto,
é fundamental cuidar da vestimenta, optando por aqueles que permitam a troca de
calor com o ambiente. Existem no mercado diversas opções desenvolvidas para o
frio, sem comprometer o conforto durante a prática esportiva;
2. Percurso:
É interessante programar o seu percurso optando por
terminar a corrida próximo à sua casa, seu carro ou o vestiário para que possa agasalhar-se
rapidamente;
3. Aquecimento:
Mais do que nunca, no frio, os cuidados com os
exercícios de aquecimento devem ser redobrados. O corpo necessita de um tempo
maior para se adaptar e funcionar adequadamente durante o treino. Pausas longas
no treino podem fazer com que o corpo perca calor e fique mais vulnerável a
lesões;
4. Alimentação adequada:
Manter uma alimentação equilibrada é fundamental
para garantir seu desempenho e manter a imunidade.
A alimentação rica em carboidratos e proteínas é
fundamental para a recomposição muscular. São interessantes para maior
disposição e energia para correr em épocas de frio.
Controle o apetite (quando cai a temperatura,
existe a tendência natural de busca por alimentos mais calóricos), não deixe de
consumir fibras e abuse das frutas (fonte de vitaminas, antioxidantes e outros
elementos);
5. Hidratação:
No frio, a hidratação pode ser ainda mais
necessária. Deve-se beber muita água antes, durante e depois da corrida.
O ar frio resseca as extremidades, lábios e
dificulta a respiração. Os chás são ótimas opções nesta época;
6. Respiração:
É interessante que, durante a corrida, respiremos
de forma adequada, inspirando pela narina e expirando pela boca. Desta forma, o
ar frio será filtrado, umidificado e aquecido para que chegue em condições
adequadas aos pulmões. Por outro lado, ao respirar pela boca, coloca-se o ar
frio em contato direto com a garganta o que pode ressecá-la, diminuindo suas
defesas, tornando-a vulnerável a inflamações e infecções;
7. Uso frequente de solução fisiológica no nariz
(limpeza e umidificação).
* Quais as recomendações para quem pratica corrida
de rua nos dias secos?
A prática de atividades físicas em ambientes secos
tem risco elevado de desidratação, podendo levar a alterações na pressão
sanguínea, no ritmo cardíaco e respiratório, levando a sintomas como dores de
cabeça, tonturas, desmaios, etc. Diversas são as formas de perder líquido (por
exemplo: respiração, evaporação, suor, filtração renal). A sua reposição ocorre
pela ingesta de líquidos. Portanto, nos dias secos, a dica principal é
cuidar da hidratação do corpo, reforçando a ingesta de água e de outros
líquidos. Manter a hidratação é fundamental para o funcionamento harmonioso do
nosso organismo (manutenção da defesa ao manter a umidade da mucosa do sistema
respiratório evita olhos secos, ressecamento da pele, garante o bom
funcionamento do intestino, coração, pulmões, rins, etc). O uso de
solução fisiológica no nariz (com seringas ou sprays) para limpeza e
umidificação do nariz reduz o impacto da baixa umidade no sistema respiratório.
* Qual o melhor período para correr no tempo frio e
seco: manhã, tarde ou noite?
O melhor é a escolha por períodos com melhores
índices de umidade que, em geral, costumam ser pela manhã.
* É verdade que o sol do outono/inverno é o que
mais prejudica a saúde? Por que?
O sol do outono/inverno prejudica a saúde tanto
quanto em outros períodos do ano. O que ocorre com frequência é que nós, por
conta do frio, temos uma falsa impressão de que os cuidados tomados com a pele
e hidratação não são tão necessários nessa época do ano, predispondo a
problemas de pele e do sistema respiratório.
Assim, o descuido com a hidratação e a falta do uso
de protetores solares aliados a banhos demorados com água em temperatura alta
(que retira o manto lipídico – camada de gordura que protege a pele) podem
levar a ressecamentos, coceiras e queimaduras na pele. A mucosa do nariz, da
garganta e a conjuntiva dos olhos podem ficar ressecadas pela baixa umidade do
ar e ingesta insuficiente de líquidos, levando a problemas respiratórios e
conjuntivites, por exemplo.
Além disso, nesta época do ano, ocorre a
inversão térmica com concentração de poluentes, o que ajuda a piorar o quadro
respiratório.
Por outra ótica, podemos dizer que o sol, na época
do outono/inverno, pode agravar a questão da baixa umidade, intensificando suas
consequências na saúde.
Você encontra mais informações sobre este e outros
assuntos no site http://www.institutoganzsanchez.com.br/

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