domingo, 15 de julho de 2018

Estou com dor de garganta. Correr ou não correr? Eis a questão...



A corrida de rua tomou conta do coração dos brasileiros. O número de adeptos aumenta a cada dia. Os praticantes do esporte são unânimes em afirmar que a corrida vicia. E é verdade. Nada assusta os atletas. Nem o frio!

O problema é que no outono/inverno, o tempo mais frio e seco, além da baixa umidade, são propícios às dores de garganta. A Dra. Márcia Kii responde abaixo algumas perguntas sobre o assunto. Ela é otorrinolaringologista do Instituto Ganz Sanchez, Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial.

* Correr com dor de garganta faz mal? Por que?

Depende do grau de comprometimento do bem-estar do atleta e dos sintomas associados. O quadro de dor de garganta pode variar de caso a caso. 
É conhecido que a prática regular de exercícios físicos traz vários benefícios à saúde. Previne a instalação de infecções do sistema respiratório e, se ela já ocorreu, reduz a intensidade e duração dos sintomas.
Entretanto, recomenda-se o bom senso. A decisão de treinar ou não deve partir do próprio atleta/praticante após uma autoanálise de como estão as suas reais condições físicas.  Se a decisão for manter o treino, a atividade deverá ser de intensidade leve a moderada. Reduzir a duração do treino pode ser uma boa ideia. A dica neste momento é não abusar (lembrando que a atividade física leva a uma sensação de satisfação e bem-estar, mesmo doentes. Isto pode nos animar e induzir-nos ao erro de aumentar a intensidade do treino)!  Exercícios de alta intensidade suprimem o sistema imunológico, e, portanto, poderão levar a um agravamento do quadro. Se a febre estiver presente, é aconselhável não correr, suspender o treino e repousar, recobrando as energias. O repouso garante uma recuperação mais rápida. Mesmo que haja pequena perda no condicionamento físico, o risco de complicações é bem menor. Deve-se voltar somente quando as condições físicas estiverem reestabelecidas. A consulta a um médico especialista pode ser necessária.

* Em quais casos não há problema correr se a pessoa estiver com dor de garganta?
Quando o quadro de dor de garganta for leve, sem febre e nem outros sintomas associados ou o comprometimento do bem-estar do atleta, a corrida poderá ser mantida, optando-se por uma atividade de intensidade leve a moderada.

* Como identificar se a dor de garganta é ocasionada pelo tempo seco, por exemplo, ou um problema mais sério?
Podemos identificar que a dor de garganta é mais séria e merece maior atenção pela duração e intensidade do sintoma, pela presença de febre e de outros sintomas e pelo grau de comprometimento no bem-estar.

* Por quanto tempo a corrida de rua deve ser trocada pelo repouso no caso de problemas na garganta?
Depende da evolução de cada caso. Enquanto a febre estiver presente, o melhor é manter o repouso. As atividades físicas podem ser retomadas gradativamente assim que as energias forem reestabelecidas (o tempo para isto pode variar de caso para caso).

* Quais as recomendações para quem pratica corrida de rua nos dias frios e muito secos?
1. Vestuário: 
Quando se pratica a atividade física, a temperatura corporal aumenta e possivelmente não sentiremos a repercussão do clima frio. No entanto, cessada a atividade, o frio poderá ser prejudicial à saúde. Portanto, é fundamental cuidar da vestimenta, optando por aqueles que permitam a troca de calor com o ambiente. Existem no mercado diversas opções desenvolvidas para o frio, sem comprometer o conforto durante a prática esportiva; 
2. Percurso: 
É interessante programar o seu percurso optando por terminar a corrida próximo à sua casa, seu carro ou o vestiário para que possa agasalhar-se rapidamente;
3. Aquecimento:
Mais do que nunca, no frio, os cuidados com os exercícios de aquecimento devem ser redobrados. O corpo necessita de um tempo maior para se adaptar e funcionar adequadamente durante o treino. Pausas longas no treino podem fazer com que o corpo perca calor e fique mais vulnerável a lesões;
4. Alimentação adequada:
Manter uma alimentação equilibrada é fundamental para garantir seu desempenho e manter a imunidade.
A alimentação rica em carboidratos e proteínas é fundamental para a recomposição muscular. São interessantes para maior disposição e energia para correr em épocas de frio. 
Controle o apetite (quando cai a temperatura, existe a tendência natural de busca por alimentos mais calóricos), não deixe de consumir fibras e abuse das frutas (fonte de vitaminas, antioxidantes e outros elementos);
5. Hidratação:
No frio, a hidratação pode ser ainda mais necessária. Deve-se beber muita água antes, durante e depois da corrida. 
O ar frio resseca as extremidades, lábios e dificulta a respiração. Os chás são ótimas opções nesta época;
6. Respiração:
É interessante que, durante a corrida, respiremos de forma adequada, inspirando pela narina e expirando pela boca. Desta forma, o ar frio será filtrado, umidificado e aquecido para que chegue em condições adequadas aos pulmões. Por outro lado, ao respirar pela boca, coloca-se o ar frio em contato direto com a garganta o que pode ressecá-la, diminuindo suas defesas, tornando-a vulnerável a inflamações e infecções;

7. Uso frequente de solução fisiológica no nariz (limpeza e umidificação).

* Quais as recomendações para quem pratica corrida de rua nos dias secos?
A prática de atividades físicas em ambientes secos tem risco elevado de desidratação, podendo levar a alterações na pressão sanguínea, no ritmo cardíaco e respiratório, levando a sintomas como dores de cabeça, tonturas, desmaios, etc. Diversas são as formas de perder líquido (por exemplo: respiração, evaporação, suor, filtração renal). A sua reposição ocorre pela ingesta de líquidos. Portanto, nos dias secos, a dica principal é cuidar da hidratação do corpo, reforçando a ingesta de água e de outros líquidos. Manter a hidratação é fundamental para o funcionamento harmonioso do nosso organismo (manutenção da defesa ao manter a umidade da mucosa do sistema respiratório evita olhos secos, ressecamento da pele, garante o bom funcionamento do intestino, coração, pulmões, rins, etc).  O uso de solução fisiológica no nariz (com seringas ou sprays) para limpeza e umidificação do nariz reduz o impacto da baixa umidade no sistema respiratório.

* Qual o melhor período para correr no tempo frio e seco: manhã, tarde ou noite?
O melhor é a escolha por períodos com melhores índices de umidade que, em geral, costumam ser pela manhã.

* É verdade que o sol do outono/inverno é o que mais prejudica a saúde? Por que?
O sol do outono/inverno prejudica a saúde tanto quanto em outros períodos do ano. O que ocorre com frequência é que nós, por conta do frio, temos uma falsa impressão de que os cuidados tomados com a pele e hidratação não são tão necessários nessa época do ano, predispondo a problemas de pele e do sistema respiratório. 
Assim, o descuido com a hidratação e a falta do uso de protetores solares aliados a banhos demorados com água em temperatura alta (que retira o manto lipídico – camada de gordura que protege a pele) podem levar a ressecamentos, coceiras e queimaduras na pele. A mucosa do nariz, da garganta e a conjuntiva dos olhos podem ficar ressecadas pela baixa umidade do ar e ingesta insuficiente de líquidos, levando a problemas respiratórios e conjuntivites, por exemplo.
 Além disso, nesta época do ano, ocorre a inversão térmica com concentração de poluentes, o que ajuda a piorar o quadro respiratório.
Por outra ótica, podemos dizer que o sol, na época do outono/inverno, pode agravar a questão da baixa umidade, intensificando suas consequências na saúde. 

Você encontra mais informações sobre este e outros assuntos no site http://www.institutoganzsanchez.com.br/




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