segunda-feira, 29 de julho de 2019

Consumo indiscriminado de suplementos alimentares pode trazer risco aos rins



Foto: Freepik



O consumo indiscriminado de suplementos alimentares tem aumentado o risco de alterações na função renal, especialmente entre os jovens. Em busca de resultados rápidos para turbinar os músculos, muitos frequentadores de academias incorporam essas suplementações à rotina de treinos por indicação de leigos e sem o acompanhamento de um nutricionista.

Os suplementos mais consumidos no Brasil pelos praticantes de atividades físicas são ricos em proteína e seu uso excessivo pode acelerar o desenvolvimento de lesões e doenças nos rins. “Esse é um dos maiores riscos. A ingestão elevada de proteína sobrecarrega os rins, que têm de trabalhar muito mais para fazer a filtração e excreção desse excesso, podendo levar à insuficiência renal parcial ou total a longo prazo”, explica o nefrologista Bruno P. Biluca, da Fenix Alphaville.

É comum que os atletas de academia usem os suplementos mais de uma vez ao dia e até para substituir refeições, e ao mesmo tempo adotem dietas da moda, como a Dukan, o que eleva ainda mais as chances de danos à função renal. “Essa associação é uma bomba-relógio porque as doenças renais são silenciosas, com sintomas inespecíficos e que só costumam aparecer quando o problema já está avançado. Como não percebem esses efeitos, as pessoas podem ter a falsa sensação de que é seguro usar esses suplementos e ingerir muito mais proteína do que o corpo realmente precisa”, afirma o médico. O perigo aumenta, alerta, quando já há predisposição ou fatores de risco associados a problemas nos rins, como pressão alta e diabetes.

O inchaço e a formação de pedras nos rins são outras consequências que podem ocorrer com o consumo inadequado e exagerado de proteínas, seja na forma de suplementos nutricionais, na adoção de uma dieta alimentar restritiva, ou na combinação dos dois, por longos períodos e sem acompanhamento.

O ideal, tanto para quem quer perder peso como para aqueles que querem aumentar a massa muscular, é investir em uma alimentação balanceada e o mais natural possível, orienta o médico Bruno Biluca, e só recorrer à suplementação quando necessário e indicado. “Os alimentos contêm todos os nutrientes que um corpo saudável precisa. Se a pessoa tem um objetivo específico, seja emagrecer ou ganhar músculos, deve procurar orientação porque as necessidades variam de pessoa para pessoa, seu nível de atividade, hábitos alimentares, estilo de vida e condições gerais de saúde. Nem sempre o que funciona para uma pessoa, funciona para outra”, diz.

Os suplementos alimentares não são vilões por si só e podem ser aliados para uma boa saúde. O problema está na febre criada pelo culto a um corpo magro, esculpido e com músculos bem definidos, sem que se meça o custo cobrado ao organismo. Segundo Biluca, esses produtos são recomendados apenas para suprir deficiências do organismo em caso de doenças ou para atletas de alto rendimento, e sempre por indicação e com o acompanhamento de um especialista em nutrição.

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